SER
Abraçar um dos vocábulos que me ocorre e ter de
acreditar que condensa toda a minha entrega à leitura, escrita… À língua e à
palavra. Depois de livros revistos na mente, fontes de palavras salpicarem,
todos os cantos e recantos de mim, diversas sílabas ditongos e acentos… Chego à
conclusão que é esta a melhor: ser.
Ser
o quê? Ser porquê? E, já agora, ser quando? Ser simplesmente. Todos somos.
Somos o que sentimos, o que vimos, o que pensamos, o que vivemos. Somos o
ontem, o hoje e o amanhã. Somos a semana passada e os dois anos anteriores.
Somos um calendário, uma agenda e um livro. Isto é, não passamos de palavras
mal ditas que fingem que descrevem quem somos. E, depois disto tudo, na
plenitude da melodia do silêncio, depois de o sol se ter perdido na escuridão
da noite, e acreditarmos que mais nada somos nas próximas horas, continuamos a
ser.
Gosto
de acreditar que sou aquilo que quero, mas continuo a não querer que me entalem
no limite de uma frase, no extremo de uma palavra e na curva de um ponto final.
Gosto de fingir que sou eu. Gosto de continuar na procura infinita de quem sou.
E, no fim do dia, quando já o sol se escondeu no breu da noite, os segredos do
silêncio sussurrarem que não sou nada mais que ser.
Adriana Lopes, n.º 1, 10.º B
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