domingo, 16 de novembro de 2014

A Minha Palavra Favorita


SER
Abraçar um dos vocábulos que me ocorre e ter de acreditar que condensa toda a minha entrega à leitura, escrita… À língua e à palavra. Depois de livros revistos na mente, fontes de palavras salpicarem, todos os cantos e recantos de mim, diversas sílabas ditongos e acentos… Chego à conclusão que é esta a melhor: ser.
Ser o quê? Ser porquê? E, já agora, ser quando? Ser simplesmente. Todos somos. Somos o que sentimos, o que vimos, o que pensamos, o que vivemos. Somos o ontem, o hoje e o amanhã. Somos a semana passada e os dois anos anteriores. Somos um calendário, uma agenda e um livro. Isto é, não passamos de palavras mal ditas que fingem que descrevem quem somos. E, depois disto tudo, na plenitude da melodia do silêncio, depois de o sol se ter perdido na escuridão da noite, e acreditarmos que mais nada somos nas próximas horas, continuamos a ser.
Gosto de acreditar que sou aquilo que quero, mas continuo a não querer que me entalem no limite de uma frase, no extremo de uma palavra e na curva de um ponto final. Gosto de fingir que sou eu. Gosto de continuar na procura infinita de quem sou. E, no fim do dia, quando já o sol se escondeu no breu da noite, os segredos do silêncio sussurrarem que não sou nada mais que ser.
                                                                                                                            

                                                                                                              Adriana Lopes, n.º 1, 10.º B

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